A comunicação de um escritório de advocacia precisa falar como uma empresa, não como a soma das vontades individuais de cada sócio. Quando cada um comunica do próprio jeito, o escritório perde a voz única que sustenta uma marca reconhecível no mercado.
Por que comitês de sócios travam decisões de comunicação e marketing?
Comunicação e marketing costumam ser tratados, dentro de escritórios de advocacia, como assunto que qualquer sócio domina, algo próximo de falar de futebol. Um comitê de vários sócios votando cada detalhe funciona bem em algumas estruturas, mas em muitas vira um debate sem orientação clara, especialmente quando o tema é comunicação. O resultado é previsível: cada sócio quer que o próprio nome apareça de um jeito, defende a própria visão sobre o post ou a campanha, e a decisão coletiva se transforma numa disputa de preferências individuais em vez de uma escolha estratégica para o escritório como um todo.

Qual é a diferença entre comunicação pessoal e comunicação institucional?
Um executivo de uma grande empresa, ao cuidar da própria comunicação pessoal, evita que ela entre em rota de colisão com a linha de comunicação da empresa que representa. O mesmo vale para um sócio de escritório: a comunicação pessoal dele, enquanto sócio ou funcionário, não pode contrariar a comunicação institucional da marca. Quando cada sócio busca reconhecimento individual através da comunicação do escritório, sem esse cuidado, o resultado tende a ser confuso para quem olha de fora, porque a marca deixa de falar com uma só voz. Definir com clareza qual é a comunicação da marca do escritório e qual é a comunicação de cada sócio é um exercício que qualquer comitê pode fazer na próxima reunião.
Por que a ausência de curadoria transforma comunicação em exposição?
Sem uma linha editorial, um padrão definido e alguém responsável por selecionar o que será publicado, um escritório não está fazendo comunicação, está apenas aparecendo. A diferença importa porque, num ambiente de disputa por atenção como o atual, aparecer sem critério raramente gera o retorno esperado. Produzir conteúdo hoje é fácil, qualquer pessoa publica um artigo ou grava um vídeo. Difícil é produzir algo que interesse além do reconhecimento pessoal de quem publica, e essa é a função que a curadoria e a estratégia cumprem: transformar vontade individual de aparecer em comunicação que de fato constrói a marca do escritório.
O episódio está disponível no Spotify e no YouTube.
Em resumo
Por que comitês de sócios travam decisões de comunicação?
Porque comunicação costuma ser vista como assunto que qualquer sócio domina. Sem orientação clara, o comitê vira uma disputa de preferências individuais em vez de uma decisão estratégica para o escritório como um todo.
Qual é a diferença entre comunicação pessoal e institucional num escritório?
A comunicação pessoal de um sócio não pode contrariar a linha institucional do escritório, da mesma forma que um executivo cuida para que a própria comunicação pessoal não colida com a da empresa que representa.
Por que publicar conteúdo sem critério não é o mesmo que comunicar bem?
Porque sem linha editorial e sem alguém responsável por selecionar o que sai, o escritório apenas aparece, sem estratégia por trás. Comunicação exige curadoria; exposição não exige nada além de publicar.