Um cliente pode conseguir a absolvição completa na justiça e, ainda assim, continuar condenado pela opinião pública por anos. As duas esferas de julgamento seguem lógicas diferentes: uma se decide por prova e contraditório, a outra se decide por quem grita mais alto primeiro.
Por que a absolvição judicial não encerra o problema de reputação?
Na justiça, o processo é linear: as partes apresentam prova, argumentam, se estabelece contraditório e, ao final, chega-se a um veredito. Com um bom trabalho de defesa, os direitos do cliente ficam demonstrados e ele consegue a absolvição, a redução de uma multa ou o trancamento de uma ação.
O problema é que, em processos longos, o cliente sofre o ataque da mídia e das redes sociais desde o primeiro sinal de culpabilidade, muito antes de qualquer veredito. Diante da opinião pública e dos grupos de WhatsApp, não existe o mesmo contraditório: quem grita mais alto é ouvido, e quem não consegue se defender no mesmo volume simplesmente perde, independentemente do que a justiça decida depois. Esse desequilíbrio se instala rápido e raramente se desfaz sozinho quando o processo é longo.

O que muda quando advogados e profissionais de comunicação trabalham juntos?
Defender um cliente apenas na frente jurídica deixa a frente pública sem resposta. Quando a defesa jurídica caminha ao lado de um trabalho de comunicação pensado desde o início do processo, a chance de alcançar as duas absolvições ao mesmo tempo, a judicial e a da opinião pública, fica muito mais próxima.
Isso não é um serviço acessório à defesa. É frequente encontrar pessoas cuja reputação pública é completamente diferente da reputação que a justiça, ao final, reconheceu como verdadeira. Em processos que se arrastam por anos, sem esse cuidado paralelo, a reputação do cliente vira, nas palavras do Secco, um terreno baldio: qualquer um joga alguma coisa ali, uma acusação, um boato, um comentário, e quase nada disso se conecta ao que de fato aconteceu.
Quando uma empresa deveria se preocupar com a reputação pública de um caso?
Desde o início, e não quando a exposição já aconteceu. Uma acusação levantada por uma única pessoa, num único momento, pode permanecer associada a alguém por anos, mesmo depois de a justiça arquivar o caso ou absolver o acusado, porque o noticiário e as redes sociais não acompanham o desfecho jurídico da mesma forma que acompanharam a acusação inicial, que costuma render muito mais atenção do que a resolução final do caso.
Por isso a preparação para a esfera pública precisa nascer junto com a estratégia jurídica, não depois dela. Esperar o desgaste se instalar para só então buscar ajuda de comunicação custa caro, porque parte da reputação perdida nesse intervalo raramente se recupera por completo, mesmo depois de uma vitória clara e definitiva na justiça.
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Em resumo
É o trabalho de comunicação estratégica conduzido em paralelo a um processo judicial, para proteger a reputação do cliente diante da opinião pública enquanto o caso corre na justiça, e não apenas depois que ele termina.
Porque a opinião pública se forma antes do veredito e raramente é atualizada por ele depois. O noticiário e as redes sociais acompanham a acusação com muito mais intensidade do que acompanham a absolvição final.
No início do processo, junto com a estratégia jurídica, e não quando a exposição pública já se instalou. Agir depois do desgaste custa mais caro e recupera bem menos reputação.