Separar o que o seu escritório faz de quem o escritório é muda a forma como o mercado enxerga o seu trabalho. O serviço prestado hoje pode perder relevância amanhã, mas os valores e o jeito de atuar que definem a marca atravessam essas mudanças, e comunicar os dois de forma diferente é o que sustenta o negócio no tempo.
Por que comunicar a área de atuação do escritório não é suficiente?
A maioria dos advogados presume que o mercado já reconhece a expertise do escritório, e essa suposição raramente se confirma. As empresas que precisam de um serviço específico não sabem, por padrão, quem faz esse serviço com mais rigor, e é justamente essa lacuna que a comunicação existe para preencher. Um escritório pode ser tecnicamente excelente numa área e ainda perder espaço para um concorrente menos qualificado, simplesmente porque o concorrente comunicou melhor as próprias vantagens. Reclamar que o mercado não reconhece a expertise do escritório não resolve o problema; comunicar essa expertise com clareza, de forma recorrente, é o único caminho. Partir do princípio de que ninguém sabe automaticamente o que o escritório faz de melhor é o primeiro passo para qualquer estratégia de comunicação funcionar.

Como mudanças regulatórias afetam o que um escritório faz no dia a dia?
O que um escritório faz hoje depende diretamente do que o mercado está demandando naquele momento, e essa demanda muda com rapidez conforme a legislação evolui. A entrada em vigor da LGPD criou, praticamente da noite para o dia, uma geração inteira de especialistas na área. O mesmo aconteceu com áreas ligadas à reforma tributária, e com frentes de atuação que ganharam relevância a partir de grandes operações de investigação. Nenhum desses movimentos é permanente: o mercado que hoje remunera bem uma frente específica pode esfriar amanhã, exigindo que o escritório se reposicione rapidamente na prática que exerce. Essa agilidade no que se faz só é sustentável quando existe, por trás dela, uma identidade de marca que não depende da frente regulatória do momento para se manter relevante.
Por que misturar comunicação de serviço e comunicação de identidade desgasta as duas?
Quando o escritório comunica o que faz e quem é com a mesma linguagem e no mesmo tom, as duas mensagens competem entre si e se enfraquecem mutuamente. O que se faz exige comunicação ágil, que acompanhe a demanda do mercado; quem se é exige persistência, porque a identidade da marca se constrói ao longo de anos de coerência. Separar essas duas frentes permite que o sócio assuma o papel de encampar os valores da empresa, enquanto a operação do dia a dia se adapta ao que o mercado está pedindo naquele momento. O serviço prestado hoje pode não existir da mesma forma daqui a alguns anos; a identidade construída em torno do sócio e da marca tende a se fortalecer justamente por atravessar essas mudanças com consistência.
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Em resumo
Comunicar o que o escritório faz envolve informar a área de atuação e a expertise técnica. Comunicar quem o escritório é envolve os valores, o jeito de atender e o posicionamento, elementos que atravessam mudanças de mercado com mais consistência.
Legislações como a LGPD criam demanda repentina por especialidades específicas, que depois se esfriam conforme o mercado se ajusta. O que o escritório faz precisa acompanhar essas mudanças com agilidade, enquanto a identidade da marca permanece estável.
Sim. Comunicar serviço e identidade com o mesmo tom faz as duas mensagens competirem entre si. Separá-las permite que a operação se adapte ao mercado enquanto a marca mantém a consistência que gera confiança ao longo do tempo.