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GestãoMarketing jurídico

Quando a comunicação multicanal realmente funciona?

03/08/2026Por Alexandre Secco

Trabalhar com recurso limitado e trabalhar com orçamento robusto pedem lógicas de comunicação diferentes. Quando a empresa tem estrutura e equipe preparada, distribuir a mensagem por dezenas de canais, do LinkedIn a veículos especializados, pode multiplicar o alcance sem perder coerência, desde que exista planejamento técnico por trás de cada escolha.

Por que trabalhar com muito recurso muda a lógica da comunicação?

Grandes empresas conseguem investir em muitos canais simultaneamente porque dispõem de orçamento amplo e de uma equipe dedicada a coordenar cada frente. Esse volume de investimento é o que sustenta a eficiência: por trás de uma propaganda de banco que chega até o público, existem outras tantas que passaram despercebidas, mas o volume total compensa a taxa de acerto. Antes, uma verba de publicidade se dividia entre poucos veículos, quatro emissoras de TV e cinco jornais. Hoje, a mesma verba precisa alcançar dezenas de canais digitais e de influenciadores, o que torna a equação entre alcance e recurso muito mais complexa do que já foi. Empresas com recurso limitado não têm esse colchão, e por isso a lógica de poucos canais bem escolhidos tende a valer mais para elas.

Pesquisa Qualitativa da FrankDave

O que uma estratégia multicanal exige antes de ser adotada?

Uma estratégia multicanal eficiente pressupõe equipe preparada para produzir conteúdo distinto por canal, sem repetir a mesma peça em formatos diferentes. Cada canal cumpre uma função própria: um congresso especializado fala a um público que discute um tema específico, um site setorial atinge quem já pesquisa aquele assunto, e o perfil pessoal de um sócio no LinkedIn carrega uma voz mais direta e pessoal. Tratar esses canais como extensões um do outro, publicando o mesmo conteúdo em todos, esvazia a vantagem de estar em vários lugares ao mesmo tempo. Sem esse planejamento técnico detalhado e esmiuçado, a comunicação multicanal vira dispersão: muita presença, pouca clareza sobre o que cada canal deveria entregar. A estrutura por trás da estratégia, mais do que o número de canais ocupados, é o que separa a dispersão do resultado.

Como decidir entre concentrar ou distribuir a comunicação?

A decisão final passa pela mesma pergunta de sempre: o que a empresa quer alcançar e por quê. Definido o objetivo, fica mais claro se a resposta exige concentração num canal só ou distribuição em vários, e qual equipe e orçamento cada caminho exige. Não existe estratégia superior em abstrato: existe a estratégia adequada ao recurso e ao objetivo de cada organização, num determinado momento do negócio. Repetir essa pergunta antes de cada decisão evita tanto o excesso de canais sem propósito quanto o silêncio por padrão, quando na verdade há recurso disponível para falar mais e melhor. A avaliação vale para qualquer empresa, independentemente do tamanho ou do orçamento disponível para investir em comunicação, e evita copiar a estratégia de outra organização sem considerar o próprio contexto.

O episódio está disponível no YouTube e no Spotify.

Em resumo

Estratégia multicanal é melhor do que falar em poucos canais?
Não existe resposta única. Multicanal funciona bem para empresas com recurso e equipe preparada. Com recurso limitado, concentrar a comunicação em poucos canais bem escolhidos costuma trazer resultado melhor.
Que estrutura uma empresa precisa para sustentar vários canais?
É preciso equipe capaz de produzir conteúdo distinto por canal, orçamento para investir em cada frente e planejamento técnico que defina a função de cada canal dentro da estratégia geral.
Por que grandes empresas conseguem falar em tantos canais ao mesmo tempo?
Porque investem recurso suficiente para sustentar tentativas que não emplacam em busca das que funcionam. O volume de investimento compensa a taxa de acerto, algo que empresas menores geralmente não conseguem sustentar.

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Alexandre Secco
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Advogado e jornalista, além da FrankDave é sócio da Análise Editorial, onde desenvolveu e dirigiu o ranking dos Advogados Mais Admirados do Brasil.

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